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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

(podia ser) uma história de Natal

Numa noite da semana passada, fui ao Colombo, passava já das 11 da noite. Entrei e saí rápido e, chegado à máquina de pagar o estacionamento, fiquei em fila com um tipo mais ou menos da minha idade. Espirrei. Vira-se o fulano para trás, com um sorriso moderado, e dispara um costumeiro "santinho".
Mas não se ficou ele pelo "santinho", acrescentando um ainda mais não habitual, mas não original, "não sei se é".
Fiquei preocupado, pois estava eu acompanhado de uma mulher que mal me conhecia e o risco de ali acontecer um "male flirt" fez soar-me campaínhas. Mas não.
"É que não sei se sabe porque se diz "santinho" a alguém que espirra?". Que não senhor, não sabia eu, disse-lhe. "Pois, é que parece que o nosso coração para quando espirramos. Como que suspende o seu batimento, para que o ar expelido não o sufoque ao sair. Em boa verdade, como que morremos naquela fracção de segundo. Por isso diziam os antigos que se o coração para, então, quando acabou o espirro e estamos vivos é porque somos santos. Santinhos, na expressão mais carinhosa".
"Conte agora você a história aos seus amigos, visto que a mim também me contaram. Boa noite, tenha um bom Natal".
A mulher que estava comigo olhou-me e, naturalmente, riu-se comigo do que se passara.
Notei entretanto que tenho espirrado menos desde essa noite.

domingo, 23 de dezembro de 2007

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

o Natal de um crente

Não sou, religiosamente, um crente. Mas nem sempre fui assim. Há muitos anos também eu esperei que os meus desejos de Natal se cumprissem, ou que um qualquer "deus" com barbas e olhos tristes tratasse bem de mim e dos meus. Mas raramente os meus desejos se cumpriram e muitas vezes eu e os meus fomos demasiado maltratados. Desiludi-me. Desacreditei.
Hoje, acredito em "deuses" concretos, pessoas das boas, mulheres e homens que espalham o bem no seu dia-a-dia, que se preocupam e se ocupam de outros, que se entregam sem interesses, que são felizes quando encontram outros felizes, ou a isso ajudam. Nem que seja em um só acto por dia, mesmo a um desconhecido na rua. Nem que seja por serem apenas verdadeiros com os outros com quem interagem. Esses são os meus "deuses".
Os meus "deuses", na noite de Natal, vão também estar em hospitais, em casas com idosos, nas ruas a ajudar outros, em simples casas de famílias normais, tratando de crianças, velhos, desvalidos, ou apenas dos seus filhos, dos pais, dos outros que amam, amando, acarinhando, perdoando.
Claro que também ofereço presentes e tenho até uma árvore de Natal em casa.
Não tenho é ilusões. Preciso e acredito nas pessoas capazes de humanidade e empenhadas nos outros. São essas que, todos os dias, me ajudam no equilíbrio espiritual, a mim, um irremediável descrente na "vida para além desta que tenho", mas crente em que é possível assistir à natalidade, em cada dia, de algo de bom em cada um de (quase) todos quantos conheço.

Um bom Natal, ó clubistas!