Mas vamos por partes.
A sempre presente radiofónica Isilda Sanches arrancou-nos o primeiro bilhete algures do impossível, talvez em tributo de algumas tardes e encontros por ela connosco bem passados.
A Carla da "Everything Is New" demorou 4 horas, mas encontrou-nos o segundo bilhete, surgindo na noite do Alquimista, deslumbrante e salvadora, como que saída de uma tela dos estúdios DreamWorks.
Desconfio que mais vezes deixaremos esgotar concertos para recorrermos à Carla.

As sandes de leitão da "Nova Pombalina" foram revelação e a sua cultura de cliente uma lição magistral, abrindo portas já fechadas para deliciar dois esfomeados peregrinos da noite.
Os pedacitos de iscas de leitão em molho de mostarda fecharam em apoteose aquele breve momento de encanto puro.
A Catarina Silva veio de Gaia sem bilhete e se viu o concerto fica a devê-lo a nós, as suas "almas salvadoras", imparáveis a arrancar um bilhete da "dama de Nova Iorque", uma estranha mulher do Clube de Amigos do S. Carlos, erudita por engano no Alquimista, mas ansiosa por vender dois bilhetes. E a Catarina estava sozinha. Mas o Clube estava lá e não podia a Catarina voltar a Gaia sem ver as meninas de Brooklyn, NY.E depois as Au Revoir Simone, três mulheres - ao centro delas Annie Paradise, o rosto mais belo que nos palcos de Lisboa de há uns bons anos se viu - e uma música de absoluto requinte e máxima depuração, a simplicidade e a rítmica em doses q.b.
Um som que fez, talvez, o melhor álbum de 2007 ("The Bird of Music") e que ao vivo ainda mais faz lembrar as saudosas caixinhas de música, ou talvez canções de colégios de freiras e até as melodias infantis de tantas memórias.
O concerto - "à pinha" - das Au Revoir Simone fechou magnificamente, como tinha de ser, um dia perfeito, cheio de mulheres e sorrisos. Que mais podiam dois homens (o Zé e este porteiro) querer num só dia?

